le imprécation

“Um bocejo é um grito silencioso” [G. K. Chesterton]

Cheville

com 7 comentários

Há muito tenho vivido à espera de sutis mudanças em certos aspectos de minha personalidade. Não trato de coisas práticas, mas de outras, um tanto mais sutis. À sombra da infância é vulgar acometer-nos a todos aquela idéia – hoje sei, um tanto vaga – que tão constantemente acometeu-me e inda hoje se faz viva: a idéia de que adaptar-nos-emos ao mundo à medida que abandonarmos quaisquer hábitos contrários ao intento.

Ora, o máximo que se pode alcançar é a aceitação desta vida que aí está; é à constatação de nossa própria impotência que nos adaptamos, e o mais são variações de um tema já gasto, ainda que sólido. De minha parte posso dizê-lo: possivelmente chegarei à velhice a esperar que o pós-vida traga-me as transformações pelas quais aguardo sem que eu tenha jamais entendido como agora entendo, ou pelo menos imagino, a insondável distância que há entre simples traços de personalidade e aquelas indisfarçáveis maneiras, qual ervas daninhas, encravadas no espírito.

*

Olá. Não vou dizer, ainda, que encerrei o Sententia, mas considerem-no em quarentena por tempo indeterminado. Aqueles spams aborreceram-me e, como eles são muitos e é pouca a minha paciência, volto agora ao wordpress.

Após uns bons dias sem nada postar, tentarei manter a freqüência dantes – ou eu não sei aonde me levará todo este enfado. Freqüentei nos últimos dias Evelyn Waugh; além do essencial Brideshead Revisited, li também Decline and Fall – um livro leve, cômico e elegante. Passei por mais Chesterton e tentei Joyce – lá pela página 100 cessei a leitura em respeito ao senhor Stephen Dedalus e trupe; não me estava a dedicar inteiramente, de maneira que o melhor a fazer é, quando possível, trancar-me num retiro espiritual a fim de ler este Ulysses.

Venho agorinha de uma livraria. Aqui ao lado está aberta uma página na qual leio:

Em 1913, quando Anthony Patch chegou aos 25, dois anos já se haviam passado desde que a ironia, o Espírito Santo da época, descera, pelos menos teoricamente, sobre ele. A ironia foi o brilho final no sapato, a última escovadela na roupa, uma espécie de “pronto!” intelectual.

Trata-se de Fitzgerald em The Beautiful and Damned – ou Belos e Malditos, um título que soa bem em português.

O resto é um silêncio oscilante.

Written by Edson Junior

Abril 7, 2008 às 6:36 pm

Publicado em cotidiano

Tagged with

7 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Cara, tu troca de blog uma vez a cada semestre. Sossega!

    Eu gosto desse template e estou pensando em adotá-lo no Mundus.

    Quanto ao Belos e Malditos, o final é o mais marcante entre os de todos os livros e contos que já li dele. E esse começo que tu citas é realmente coisa de mestre. Não me cansarei de dizer isso do Fitzgerald.

    Abraço.

    cleber

    Abril 8, 2008 em 12:01 am

  2. No msn:

    Cleber diz:
    viu que o ed tem um blog novo pela milesima vez?

    hahaha!
    Concordo com o Cleber. O template é bem bacana, mas eu, como boa apreciadora de imagens, sinto falta delas.

    Bjs, moço!
    : )

    Cris

    Abril 8, 2008 em 2:11 am

  3. Bom Ed, eis aqui um “novo” blog.
    ..
    Já ouvi dizer que cada um é o que faz. Não sei se me entende, mas vejo pessoas fazendo o que não são, e outras que são o que não fazem.

    Logo começo a crer que a personalidade pode em muito se distanciar das atitudes.

    Também não sei se é disso que você fala.

    boa sorte

    JANPITER

    Abril 8, 2008 em 2:35 am

  4. Tudo bem, eu também gosto dessa fonte.

    Dayane

    Abril 8, 2008 em 12:04 pm

  5. Ok, estou morrendo de rir dos comentários de seus amigos…rs.
    Mas sabe, é tão bom saber que há gente que gosta de livros realmente bons, porque eu, ah eu adoro literatura de mulherzinha. É claro que gosto de livros realmente bons, terminei de ler Lavoura Arcaica tem pouco tempo, mas o que devoro mesmo com gosto é coisas como “Louca por homem” da Claudia Tajes. E as pessoas sempre me olham meio estranho na rua quando me veem lendo um livro com esse título.

    Mas sim, olá ao novo blog do Ed!

    Srta. Bia

    Abril 8, 2008 em 1:19 pm

  6. Gostei do blog novo. Seja bem-vindo de volta!
    Eu também gosto muito de Fiztgerald.

    Badá

    Abril 8, 2008 em 7:10 pm

  7. Olá, vocês :-)

    Já perdi mesmo a conta de quantos blogs tenho por aí, mas tentarei manter um foco (ha ha, manter um foco é ótimo).

    E, Cléber, tou me esbaldando com o livro.

    Abraços.

    Ed

    Abril 9, 2008 em 1:42 pm


Deixe um comentário